Inflação mais alta pode aumentar a mordida do Leão
Caso as projeções do mercado financeiro se confirmem e a Inflação
superar a meta de 4,5% esperada pelo governo para este ano, a mordida
do Leão da Receita Federal vai aumentar. Isso porque a tabela de
alíquotas do Imposto de renda
recolhido na fonte mensalmente dos assalariados foi corrigida em 4,5%
neste ano, mas de acordo com o relatório Focus, que reune as
expectativas do mercado, a Inflação de 2010 ficará em 4,91%.
Toda vez que a correção da tabela não acompanha a inflação, o
contribuinte recolhe mais imposto para o governo. De acordo com um
estudo feito pelo Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais da Receita
(Sindifisco), de 1995 até 2009, o brasileiro chegou a pagar até R$ 5
mil a mais por ano por causa da defasagem de 63,62% acumulada no
período.
Segundo o estudo, enquanto a Inflação subiu 195,15% de acordo com o Índice de preços ao Consumidor Amplo (IPCA) nesse intervalo de 15 anos, a correção das alíquotas do IR foi de 80,39%.
Se a tabela estivesse corrigida pela Inflação cheia, o trabalhador que recebe R$ 2.347,28, por exemplo, estaria isento da contribuição do IR. Mas, hoje, ele sofre um Desconto
de R$ 83,25 todo mês. “Com os cerca de R$ 900 por ano que sobrariam, o
contribuinte poderia elevar seu consumo. O valor é maior do que a
parcela de financiamento de vários modelos de carro”, compara Lázaro
Rosa da Silva, advogado tributarista e consultor do Centro de
Orientação Fiscal (Cenofisco).
Segundo o diretor de assuntos técnicos do Sindifisco, Luiz Antonio
Benedito, quem perde mais com a falta de correção da tabela é o
contribuinte de menor renda. O levantamento mostra que o trabalhador
que recebe R$ 2.350 por mês contribui atualmente com R$ 83,66, quando
deveria pagar R$ 11,46 se a tabela tivesse sido corrigida pela Inflação
nos últimos 15 anos, um diferença de 630,02%. Para quem ganha a partir
de R$ 5.860, o valor de imposto a mais é de R$ 421,76, o que representa
R$ 5.061,12 a mais para os cofres públicos por ano.
Benedito diz que a defasagem caiu nos últimos anos, pois em 2005 e
2006 a tabela foi corrigida em 10% e nos de 2007 a 2010, a correção foi
de 4,5% ao ano.
“Mesmo assim, está longe de se recuperar. Para o próximo ano, a
correção precisa se feita este ano. E o que a população pode fazer é
pressionar para que haja recuperação das perdas dos anos anteriores”,
diz o diretor.
Para o ano-calendário 2009, o IR ganhou mais duas alíquotas, a de 7,5% e de 22,5%. No entanto, a Inflação
ficou em 4,31%, o que indica que o contribuinte não teve imposto a mais
recolhido na fonte e pode até ter registrado uma pequena recuperação.
Mas em 2008, a Inflação foi de 5,9%.
“Quando se tem poucas opções de alíquota, juntam-se muitas pessoas
em uma mesma faixa de contribuição, mesmo sem analisar qual a
capacidade de contribuir desse cidadão. E isso é ruim, pois nem todos
deveriam pagar o mesmo, já que tem rendas bem diferentes”, diz Silva.
Fonte: Jornal da Tarde - SP
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